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Publicado em 04/09/2020 às 14h20
Cinema: modo de fazer


RODRIGO ROMERO

Em 2001, Eduardo Coutinho (1933-2014) encontrou no Edifício Master o local para realizar o próximo trabalho: o documentário que mostraria diferentes faces dos moradores. Como se sabe, o longa-metragem foi lançado em 2002 e até hoje é referência de filmagem, característica comum pela qualidade cotidianamente esbanjada por Coutinho em suas produções. Ao mesmo tempo em que labutava e quebrava a cabeça para confeccionar o filme, a cineasta Beth Formaggini, uma das auxiliares do documentarista em 'Edifício Master', aproveitou para filmá-lo.

As imagens se transformaram em outro produto: 'Apartamento 608: Coutinho.doc', em parceria com o Canal Brasil. São momentos únicos de Coutinho e o seu modo de fazer cinema: tudo está captado pelas lentes de Beth.

Por exemplo: com apenas 6 dias de filmagens, ele já demonstrava o desejo de abandonar o projeto - 'Não vai dar. Os depoimentos são fracos e não achamos nada de importante', diz. 'O que fazer? Vamos ligar pro João e falar que desistimos? Vamos devolver o dinheiro pra ele?'. No caso, o João citado é o Moreira Sales, também cineasta e o produtor de 'Edifício Master' com sua empresa VideoFilmes.

Nos debates com a equipe, Coutinho se fazia de vítima para ouvir os argumentos dos colegas. Geralmente se convencia. O plano para filmar o tal prédio foi bem simples: alugar um apartamento (o 608) e durante alguns dias descobrir personagens que 'tinham algo a dizer'.

'São pessoas comuns que têm histórias comuns. Não adianta ficar fazendo perguntas bobas a elas', analisa Coutinho, que em um bar dá uma dica valiosa: 'Não se deve por artigo em título de filme. Tem que ser seco, na lata'. Neste mesmo dia, especulou-se um outro nome ao documentário em andamento: 'Conjugado'. 'É uma palavra ótima, porque engloba várias coisas. Gostei dela', comemora o diretor.

'Apartamento 608' foi de certa forma a homenagem necessária a um homem que viveu o cinema em película durante toda a vida. Coutinho não ligava para o pensamento alheiro. O interesse por obras de ficção estava próximo ao zero. Coutinho era teimoso, no bom sentido. Duração: 68 minutos. Cotação: ótimo.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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