Terça-feira, 20 de Outubro de 2020 | você está em »principal»Blogs»Coisas de Cinema
Publicado em 29/07/2020 às 16h40
Cineautobiografia


RODRIGO ROMERO

Alguns cineastas têm a magia de inventar estilos de filme. Um deles é este do título da coluna: a cineautobiografia. Federico Fellini foi mestre neste tipo de obra. Pedro Almodóvar, idem. Seu trabalho mais recente, 'Dor e Glória', que concorreu aos Oscars de ator a Antonio Banderas e filme estrangeiro, é, talvez, o mais sentimental e amoroso. Banderas é Salvador Mallo, cineasta em crise existencial e com fortes dores no corpo todo, principalmente nas costas.

Ele recorda a infância pobre ao lado da mãe Jacinta (Penélope Cruz), quando descobriu os livros e morava em um porão. O pequeno Salvador (interpretado pelo excelente estreante ator mirim Asier Flores) é esperto, inteligente e perspicaz. Ao rejeitar ir ao seminário para cursar a escola, começa a dar aulas a um jovem pintor analfabeto, que em contrapartida oferece seus serviços na casa de Jacinta.

O adulto Salvador tem em Alberto (Asier Etxeandia) seu contraponto. No passado, o filme 'Sabor', dirigido por Mallo e protagonizado por Alberto, foi criticado pela fraca atuação deste e a partir daí a amizade entre os dois se rompeu. Na excursão ao passado, Mallo revê decisões, primeiros amores e as melancolias que a atitude traz à tona.

Desde sempre o cinema de Almodóvar aborda os mesmos pontos e a figura da mãe é sine qua non quando o assunto é o diretor espanhol. Desta vez, porém, a personagem é menos esfuziante e mais sofrida, sorumbática. Ao não conseguir 'andar para a frente', ou seja, avançar o trabalho como diretor devido às dores nas costas, Mallo vê como solução arranjar-se com o que se foi e por meio dele tentar retomar o cotidiano ou até ilustrar a rotina com pessoas do passado.

A sensação de finitude está presenta em todo o longa-metragem e a capacidade de 'Dor e Glória' encantar o público é imensa, inclusive no uso de Almodóvar da metafísica, ou metaficção, que permeia o filme inteiro e tem o ápice precisamente na sequência final.

Nessa metalinguagem, há alguma semelhança com o curta-metragem de Jorge Furtado 'O Sanduíche' (2000). Será que nem tudo é o que parece ou os delírios de Almodóvar quer nos contaminar? Duração: 113 minutos. Cotação: ótimo.

Publicidade
Comentários (0)

ATENÇÃO!

Os comentários publicados neste espaço são de responsabilidade de seus autores e não expressam
necessariamente a opinião do Diário de Jacareí


Por favor, faça o login antes de comentar

20 OUT
Publicidade
Notícias

Artigos
Perfil do Blog
Coisas de Cinema

Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
Arquivo
Publicidade
Publicidade
11/10/2019
A Prefeitura de Jacareí anunciou a implantação de corredores de ônibus na cidade. Qual a sua opinião sobre o tema?
06/04/2019
Após 100 dias de trabalho, qual a sua avaliação sobre o governo de Jair Bolsonaro (PSL)?
  • 38.1%
  • 19.5%
  • 14.6%
  • 13.3%
  • 12.2%
  • 2.2%
Logos e Certificações: