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Publicado em 17/05/2019 às 16h03
Balelas reais


RODRIGO ROMERO

Se teve alguma injustiça no Oscar deste ano foi o troféu de melhor ator pra Rami Malek, pelo 'filme do Queen'. Onde os eleitores da Academia estavam com a cabeça? Porque não deram o prêmio a Christian Bale, o Dick Cheney de 'Vice' (2018)?

A início de conversa, o filme é o espetáculo em si. Adam McKay, o diretor (o mesmo de 'A Grande Aposta') imprime ao roteiro e à edição sucessivas ousadias criativas. A aceitação é imediata porque tem talento.

De nada adiantaria um cheiro parecido, mas de capacidade zero de imaginação e competência. A proposta de 'Vice' é acompanhar Cheney desde as bebedeiras e o trabalho como eletricista numa cidadezinha chinfrim dos EUA, até sua ascensão à vice-presidência, de 2001 a 2009, com George W. Bush (fanaticamente feito por Sam Rockwell, que não tem freios graças a McKay - belíssimo trabalho também) na cabeça-de-chapa.

Percebe-se a quão tola pode ser a vida de um homem mesmo com superpoderes, a sagacidade da esposa (Amy Adams - outra profissional de calibre altíssimo), e a depreciação da realidade. Além de o blocked e a montagem serem ácidos e críticos, 'Vice' possui outro grande chamariz: o estilo irônico de McKay, que absorve a trama e dá a ela ares cômicos que não tem.

Nos diálogos, as 'balelas reais' são postas para que as engulamos goela abaixo: é assim e ponto final - foi você, eleitor, quem pôs o cara lá, agora aguente firme. Quando Cheney ordena abater qualquer aeronave ameaçadora naquele 11 de Setembro, Donald Rumsfeld pergunta: 'Isso é ordem do presidente?', e o vice responde, mentindo: 'Sim. No sistema 'Salve Disposição em Contrário', é o exato X da questão - até onde vai a soberba (ou soberania?) de uma pessoa?

E isto é quase nada diante dos demais colóquios. O Oscar precisa retornar à sua verdadeira função, aquela de 1928: premiar somente os melhores, e não se preocupar com cotas para mulheres, negros, homossexuais e afins. Em arte essa conta não fecha. Escreverei sobre isso mais à frente. 'Vice' - duração: 135 minutos; cotação: ótimo.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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