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Publicado em 31/08/2018 às 15h04
Atos de Nobreza


JOSÉ LUIZ BEDNARSKI

Atualmente e durante as próximas semanas, as eleições são tema em destaque. O assunto traz ao cidadão comum questões complexas como reforma tributária, competências federativas, estratégias de segurança, financiamento da saúde pública e planos de educação para o desenvolvimento do país.

Nem sempre esses assuntos são de fácil compreensão para o nível médio de escolaridade e parcas luzes culturais do eleitor, normalmente mais engajado nas pautas minúsculas de seu reduzido cotidiano particular.

Para reduzir a distância entre a mensagem e o destinatário, e angariar os votos necessários ao sucesso eleitoral, os candidatos apostam em palavras de ordem com forte apelo emotivo. Honestidade, sinceridade, eficiência, experiência, transparência, et cetera.

Entretanto, há uma palavra ausente do vocabulário político moderno: nobreza. Nivelado pela igualdade como ferramenta de expiação, o vocábulo soa extremamente agudo ao brasileiro acostumado ao improviso do 'salve-se quem puder' e à relatividade moral.

Nobreza tem pouco a ver com educação. Existem mestres de finesse que perpetram atitudes torpes e defendem posturas eticamente repugnantes. Possuem embalagem colorida, mas conteúdo podre. O universo político é pródigo em exemplos desse tipo.

Do mesmo modo, a elegância é inapropriada para definir ou caracterizar pessoas nobres. Existe gente que sabe muito bem ser agradável ao semelhante, mas age egoisticamente e não cultiva em seu íntimo o desinteressado amor ao próximo.

Talvez as considerações acima expliquem por que a nobreza é impronunciável no horário eleitoral. O homem público teme ser interpretado como aristocrata ou apologista da opulência. Arrematado engano: bem acima dos bens materiais fulgura a nobreza.

É desnecessário citar os inúmeros fatos ocorridos com moradores de rua e catadores de recicláveis que encontraram valiosos bens, altas quantias em dinheiro vivo e devolveram aos legítimos proprietários. Eis os verdadeiros nobres.

E nobre também é Zeca Pagodinho, amigão do mendigo Coral. Confessadamente de origem pobre, seu coração é nobre, assim Deus o fez. Quando a enchente fustigou o Rio, o sambista tirou o jet ski da garagem e saiu a socorrer vidas.

O nobre extrapola rótulos sociais. Aristocrático ou humilde, prefere a prática à teoria. Sua missão indeclinável é semear bondade, respeito e solidariedade.

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O Quinto Poder

Coluna assinada pelo Promotor de Justiça da Cidadania, José Luiz Bednarski. Uma abordagem apartidária, com discussão aberta dos assuntos de interesse geral; o amadurecimento paulatino da cidadania, a força da população em diálogo com órgãos independentes representativos, como MP, Defensoria Pública e outras instituições criadas ou fortalecidas a partir daConstituição de 1988.


E-mail do autor: joseluizbednarski@gmail.com
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