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Publicado em 27/07/2015 às 09h51
A grandiosidade de ‘Fausto’


RODRIGO ROMERO

Antônio Abujamra, falecido em abril, adaptou o discurso final de Mefistófeles, de Goethe, para o seu programa 'Provocações', da TV Cultura. A primeira vez que o leu creio ter sido em 2000 ou 2001. Tal foi o meu impacto com aquela audição que procurei saber do que se tratava. O caminho foi tortuoso, a internet ainda não era a potência de hoje, mas consegui captar algo. A história de Fausto, o homem desejoso de possuir toda a inteligência e cultura do universo, se rende ao demônio, Mefistófeles, e lhe dá a alma como garantia. Aqui neste espaço inclusive já escrevi tanto sobre Abujamra como 'Fausto'.

Acontece que o novelo seguiu. E soube depois a existência do filme rodado na Alemanha em 1926 no auge do Expressionismo, dirigido pelo gênio F. W. Murnau. Demorei a achar a película e finalmente a assisti neste 2015. O choque foi grande porque o visual e a fotografia fazem quaisquer espectadores dobrarem os joelhos, tamanho é o espetáculo. Lembre-se que em 1926 Hitler ainda era o sonho bom dos germânicos e o país estava mergulhado numa tremenda recessão. A peça original é de 1806, com sequência que Goethe 'entregou' após a morte, em 1832. O universo mudara quase nada desde então.

Gösta Ekman (Fausto), Emil Jannings (Mefistófeles) e Camila Horn (Margarida) sustentam a trama nos papéis principais. No filme, Deus e Satã apostam se o protagonista fará o pacto sinistro. Ao ver a aldeia contaminada pela peste, e temendo por sua morte, Fausto clama ao Diabo a lhe dar juventude eterna. O que ele não imagina é o amor que o consome ao conhecer a jovem Margarida (Gretchen no idioma original). Os dilemas são catalogados de acordo com ambição e a soberba de Fausto. Trata-se duma alegoria macabra e simultaneamente romântica. Há de ter sangue bem quente para vê-la toda.

Isto tudo é depurado por uma beleza cênica ótima pra época e pela elegância de Murnau em filmar o drama em diferentes takes. Somente 5 sobreviveram ao tempo. Há as cenas inesquecíveis: Margarida penando no calabouço com o filho recém-nascido e toda a sua sequência marca todo o mundo.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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